Yuki-Onna, a mulher da neve, é uma personagem frequente em animes e mangás, bela mulher de pele pálida e roupa branca que costuma aparecer na neve, cuja origem está em antigas lendas nipônicas. Até o século XVIII, as lendas a retratavam quase uniformemente como uma espécie de súcubos que seduzia homens solitários e os matava de frio, em algumas versões também aparecia acompanhada de uma criança para enganar e matar velhos casais sem filhos. Depois as lendas foram mudando, provavelmente os acontecimentos que deram origem a estas se tornaram distantes, e a fantasia das pessoas falou mais alto. Começaram a retratar um lado mais gentil de Yuki-Onna. Bom, é essa versão que do filme.
A narrativa é simplória, um escultor e um aprendiz vão a floresta para procurar madeira para esculpir, ao anoitecer se refugiam em uma caverna, a criatura aparece e mata o escultor, mas poupa o aprendiz com a condição de ele não conte a ninguém sob sua existência. Posteriormente o aprendiz fica encarregado de suceder o mestre na missão de esculpir uma estátua para o templo, nesse meio tempo Yuki-Onna aparece sob forma humana, eles se apaixonam, se casam e vivem um lindo romance água com açúcar. Mas uma regra brutal rege a existência segundo a qual não sobra nada pro beta. A história continua, o senhor feudal local se apaixona por Yuki e quer tomar a esposa do coitado, faz todo tipo de maquinação para prejudicar o infeliz, ao mesmo tempo o sujeito está tendo dificuldades com sua missão de esculpir a estátua.
Ao fim a criatura mata daimyo (talarico morre cedo, bem feito); o escultor (outrora aprendiz) quebra seu voto de silêncio, contando a esposa sobre o episódio com a criatura. A esposa se revela Yuki-Onna e tenta máta-lo, contudo, ao ver o filho dos dois desiste. O beta termina sem nada, mas pelo menos consegue terminar a escultura: representando no ídolo pagão a face misericordiosa da esposa...
É uma historinha simples, um conto de fadas triste.
Yuki foi realmente uma esposa atenciosa e dedicada, nenhuma humana seria capaz disso. A mensagem que fica é que para ter acesso ao ideal de perfeição feminina o sujeito tem que procurar em outro mundo; mas isso não costuma dar certo, então é melhor se contentar com as filhas de Eva mesmo. Achei ainda açucarado demais; nós cristãos bem sabemos que essas coisas aí são demônios, um final mais gore - com o monstro matando o sujeito e o filho - seria mais coerente.


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